Clínica Bernardi
Obrigado, ciência: Exercícios físicos estão se tornando tão eficazes quanto remédios
10/04/2017
Não estamos falando da típica e abstrata orientação “você precisa fazer exercícios físicos”, e sim de uma direção clara da melhor forma de se movimentar para prevenir e tratar condições médicas já diagnosticadas ou para as quais tenha predisposição. Algo como a indicação de caminhada + ioga, ou corrida de longa distância + crossfit, por exemplo.

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Pelo menos é nisso que apostam o U.S. National Institutes of Health e outros médicos e cientistas dedicados a descobrir exatamente como a atividade física age no corpo humano. Você já pode se beneficiar de algumas dessas descobertas, enquanto espera o momento em que vai trocar pílulas pelos treinos.

Câncer 
Musculação, pilates e caminhada intervalada
“Quem está em tratamento contra um câncer sofre perda de peso intensa, além de fadiga e falta de força”, explica Bruno Gion de Andrade Cerazi, educador físico do Hospital Israelita Albert Einstein. Com liberação médica, o exercício de força pode prevenir a perda muscular acentuada e melhorar a sensação de fadiga. A musculação bem dosada, ioga, pilates e caminhada intervalada com trote mantêm a disposição.

Labirintite e outras desordens do equilíbrio 
Tai chi chuan e ioga

Apesar da vontade incontrolável de permacer imóvel, a melhor forma de encarar esses distúrbios é colocar a estabilidade à prova. Dois estudos avaliaram o equilíbiro, um em idosos submetidos a algumas semanas de tai chi chuan e outro em atletas após dez semanas de prática de ioga. O resultado provou que as modalidades aumentam potencialmente o equilíbrio.

Parkinson, diabetes, doenças pulmonares e cardíacas 
Treinamento intervalado de alta intensidade– HIIT

Diferentemente do que se acreditava até agora, portadores desses males não estarão eternamente presos a atividades físicas monótonas. Estudos sugerem que o HIIT não só é seguro para a maioria dos doentes, mas mais eficaz em prevenir ou reverter os déficits associados a muitas doenças crônicas do que as atividades aeróbicas de baixo impacto. Os pesquisadores descobriram que levar o corpo próximo ao limite por períodos muito breves, intercalados com períodos de descanso, traz mais benefícios para a melhoria cardiovascular, respiratória, metabólica e das funções mecânicas.

DAQUI PARA FRENTE
O que os cientistas farão para tornar a atividade física seu melhor remédio

O U.S. National Institutes of Health (NIH) vai lançar em 2017 um estudo de US$ 170 milhões, com mais de 3 mil participantes, sobre a ação da atividade física no corpo humano. Os voluntários, das mais variadas idades, serão sedentários e começarão um programa de exercícios supervisionado. Eles farão doações de sangue, gordura e músculos antes e depois das atividades. Os cientistas vão analisar essas amostras em busca de pistas de como a atividade física modifica cada molécula do corpo.

Paralelamente, serão analisadas amostras de tecidos do cérebro e pulmão de animais que passarão pelo mesmo programa de exercícios, já que a extração desse material em humanos é muito arriscada. Um estudo com essas dimensões e rigor nunca foi realizado. Os pesquisadores do NIH esperam que os dados convençam os médicos a tratar a atividade física como “o remédio milagroso” que eles acreditam ser. Como álibi, eles usam a constatação de que quem cumpre a recomendação de prática de atividade física da OMS pode ter sua expectativa de vida aumentada em até quatro anos. 

QUANTO EXERCÍCIO EU REALMENTE PRECISO FAZER?

A Organização Mundial da Saúde aconselha que os adultos façam 150 minutos de atividade física moderada por semana. Esse tempo deve ser dividido entre atividade aeróbica e fortalecimento muscular, duas vezes por semana

O treino intervalado de alta intensidade substitui o regular? Mais pesquisas precisam ser feitas, mas evidências sugerem que esse tipo de exercício tem benefícios únicos, além de ser uma ótima opção para quem tem pouco tempo. De acordo com os últimos estudos, ele é tão eficaz quanto os mais longos, contanto que você realmente chegue próximo de seu limite físico.

O que conta como atividade física moderada? As mais recentes pesquisas indicam praticamente tudo que tire nosso corpo da inércia: cuidar do jardim, brincar com as crianças, lavar o carro, limpar a casa, levar o cachorro para passear. Os especialistas dizem que o importante é que a atividade dure ao menos 10 minutos e seja repetida ao longo do dia.

Apenas a atividade aeróbica é suficiente? Não. Se seu objetivo é viver mais e melhor, você precisa fazer os dois: exercício aeróbico e fortalecimento muscular. O aeróbico vai proteger coração, pulmão e prevenir doenças relacionadas ao ganho de peso, e o fortalecimento vai garantir músculos e ossos mais saudáveis, além de prevenir lesões.

Fonte: Globo.com